Apesar de toda a ambientação em fantasia, esse é um quadrinho de guerra entre duas raças alienígenas rivais: os pazninas e os rotos. Dentre os personagens, há o destaque para a jovem rota Thea, que teve uma infância dedicada ao desenho mas cuja realidade a levou a abrir mão disso. Ela é irmã de Rollo, um jovem que se recusa a acompanhar a família na guerra por achar que matar não é uma resposta eficaz; ambos são filhos do Provedor, que lidera o seu povo e quer vencer a guerra a qualquer custo. A Editora Devir publicou essa obra da Image Comics em setembro de 2025.
O quadrinhista Daniel Warren Johnson traz como proposta para os seus quadrinhos a contrução de uma primeira impressão de ser a diversão pela diversão. Por isso os primeiros capítulos foca-se no conflito com muita violência. A guerra é detalhada nas imagens sujas cheias de movimento, cuja sequência entre os quadrinhos possibilita que acompanhemos os detalhes em diversos ângulos do conflito tanto na terra quando no ar. Para quem curte a proposta, o autor conquista facilmente esse leitor.
Porém quem já leu obras anteriores do artista sabe que seus quadrinhos trazem uma complexidade. Johnson aproveita do entusiasmo pelas cenas da violência para levar o leitor a refletir sobre as consequências disso. Em meio a morte de pessoas que amamos, surge um sentimento de vingança que, com o tempo, modifica inclusive a nossa personalidade. A vingança a partir da guerra passa a ser o principal motivador cotidiano e uma vida com momentos de descontração e afeto é deixada de lado. Nesse momento, fica ainda mais difícil saber quem é mocinho e bandido entre os rivais já que as pessoas ficam cada vez mais parecidas pelo seu desejo de destruir o inimigo.
É interessante na proposta como o autor aponta e explora a proposta de solução para o conflito, o que leva alguns dos personagens a crer que é possível recuperar a inocência que existia antes da guerra acontecer. Contudo isso acabou ficando como um recorte significativo num quadrinho que é basicamente de guerra. Porém ainda que tenha sido por uma breve quantidade de páginas foi esse recorte que salvou a obra.
Extremity é um ótimo quadrinho de guerra. A maneira detalhada e crua como o conflito é detalhado traz interessantes sequências de páginas, mas o que torna a obra relevante é a reflexão em torno das consequências da mesma na personalidade dos indivíduos fazendo com que os inimigos se diferenciem entre si por sutis detalhes já que a motivação de ambas é a mesma: vingança. É uma pena que com isso a gente comece a perceber que o autor acaba tendo uma proposta parecida em suas obras principalmente por ter o mesmo motivador: a morte de uma pessoa querida. Por isso dá-se a impressão de que suas obras são as mesmas, mas contadas de maneira diferente. Eu particularmente gosto da reflexão trazidas por ele que foi o que salvou a obra.
Ficha técnica:
Título original: Extremity
Editora Original: Image Comics
Roteiro e arte: Daniel Warren Johnson
Tradução: Giovana Bomentre
Formato: 17 x 26 cm
Estrutura: 312 páginas coloridas
Acabamento: capa brochura com
orelhas
Peso: 620 g (estimado)
Lombada: 1,95 cm (estimada)
Área de interesse: aventura, guerra,
ficção, fantasia e drama
Público: adulto
Preço: R$ 135,00 (estimado)
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