O jornal Linha de Frente de Ben Urich não anda nada bem financeiramente e o retorno do Hulk, que determinou que a cidade de Nova York seja completamente evacuada, é uma oportunidade de fazer uma cobertura jornalística histórica. Logo nos primeiros dias, o robô alienígena amigo do Hulk chamado Arch-E-5912 sofre um atentado e Korg exige que a polícia investigue o responsável por isso. Além dessa história, o encadernado conta com a minissérie Tropa Gama. A equipe é formada de pessoas Hulkficadas que foram chamadas para deter o Gigante Esmeralda, a minissérie mostra a origem e a motivação dos integrantes do grupo. Essa é uma publicação da Editora Panini que saiu nos meses de agosto e outubro de 2008.
Frente de Batalha
O roteirista Paul Jenkins trouxe uma história das consequências da guerra do Hulk Contra o Mundo para as pessoas comuns que permaneceram na cidade sob o ponto de vista jornalístico. Por isso, os acontecimentos da série principal são apenas uma imagem de fundo da trama. Tudo se passa em mostrar os riscos que as pessoas estão tendo em permanecerem ali. Esses riscos inclusive não se limitam ao Hulk e seus amigos alienígenas, há grupos de novaiorquinos que estão ali pra saquear e violentar pessoas naquela terra sem lei. Além disso a narrativa passa pelo mistério de um investidor misterioso que quer apoiar o jornal mas não disse quem era e nem o que ele queria em troca. Isso sem mencionar nos problemas pessoais dos personagens como a jornalista Sally Floyd que precisa lidar com a seu alcoolismo nessa situação limite.
Os argumentos são maravilhosos, tanto nos recordatórios, que narra a trama como uma matéria jornalística, quanto nos balões de fala, que são muito bem contruídos. Por isso, não veja a obra como uma história de super-heróis cheia de ação. Os acontecimentos ocorrem de maneira lenta como uma série de investigação policial. Porém é a qualidade do texto que não deixa o interesse na leitura morrer, até por isso é preciso elogiar o trabalho do tradutor Rodrigo Barros. Essa história tem um final condizente com a série, já que são a evolução de acontecimentos da guerra que guia os personagens e quando ocorre o fim do conflito, as pessoas estão por lá meio que sem entender o que vai acontecer a partir dali. Além disso, é revelado quem é o investidor misterioso, porém a motivação dele não ficou convincente e esse é o único detalhe que eu não gostei.
Os desenhos são de Ramon Bachs (acompanhado de Shawn Martinsbrough na terceira e quarta partes). Ele utiliza de um traço realista um pouco sujo, que é o ideal para a proposta e isso deixa claro que não se trata de uma história de super-heróis. Para quem leu a série principal antes, vai poder ver discretamente os principais acontecimentos respeitando a linha do tempo. Isso possibilita refletir ainda mais sobre os estragos na cidade e como é estar a mercê de um prédio caindo, uma explosão de uma tubulação de gás comprometida ou do aparecimento de crateras inesperadas.
Entre um arco e outro, há uma sequência de histórias curtas chamadas "Divisão de Fantasiados: Morte de um Andróide" que contaram com o roteiro de Paul Jenkins e com os desenhos de Shawn Martinbrough, que possui um estilo cartunesco bem voltado para o humor, contudo ainda que o roteiro traga algumas piadas pontuais, a trama é bem séria, já que se trata de uma investigação de quem teria destruído o robô Arch-E-5912 e, se os desenhos aparentam ser uma história descontraída, o seu final mostra uma trama que Jenkins articulou muito bem e que vale a pena a leitura.
Tropa Gama
Essa história introduz os personagens que compõem o grupo e já apresenta de cara um problema de narrativa. A história é quebrada em subtramas que trazem o passado de personagens desconhecidos ou pouco conhecidos por aqueles que leram tudo do Hulk. Isso faz com que a gente se perca tanto em relacionar o alter ego humano com a sua versão hulkficada e também a gente acaba perdendo a noção do que aconteceu no passado e quando a narrativo ocorre no presente. Após feitas as devidas apresentações, o roteirista Frank Tieri leva o grupo ao enfrentamento direto contra o Hulk e nisso parte do grupo recebe algumas revelações.
Os desenhos são do gaúcho Carlos Ferreira que tem um traço com bastante personalidade que foca a expressão emocional dos seus personagens numa boa medida. É por isso que eu gosto mais dos desenhos do que a maneira como a história foi contada.
Veredicto
Os encadernados Hulk Contra o Mundo Frente de Batalha é uma excelente leitura quando a gente lê o arco Frente de Batalha e as mini histórias Divisão de Fantasiados, já que trazem uma trama tão bem construída que foi possível se desligar da série principal (exceto por algumas imagens de fundo), trazendo uma história interessante com um final à altura de toda a trama. Já o arco Tropa Gama destoa da qualidade das histórias anteriores, devido a uma construção narrativa confusa, que vai tirando o interesse na leitura. É até interessante a retomada do embate de super-heróis mas não é o suficiente para salvar a leitura. Por outro lado, para os leitores antigos do Hulk é possível lembrar de grandes momentos da sua cronologia e acompanhar a mudança de alguns dos personagens apresentados, dando gancho narrativo para outras histórias.
Leia também:
Planeta Hulk - O Quebra Mundos
Entre no grupo de whatsapp do blog Garimpando Hqs para receber novos textos



Comentários
Postar um comentário