ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS
Esse é o último volume em que há histórias escritas pelo roteirista Grant Morrison e Mark Millar para o Flash. Aqui inicia com o final do arco em 3 partes, que iniciou em A Saga do Flash 17, em que há o encontro do Flash com o Arqueiro Verde e o Lanterna Verde. No arco seguinte, extraterrestres determinam que o Flash corra em disputa com um velocista de outro planeta sobre quem corre mais rápido, o derrotado terá o seu planeta destruído. Por fim, fotos de Wally West traz indícios de que a sua morte está muito perto, por isso os velocistas precisam se unir pra impedir isso. As histórias desse volume foram publicadas pela primeira em DC Comics - Coleção de Graphic Novels: Sagas Definitivas número 39 publicada em julho de 2021 e DC Comics Coleção de Graphic Novels número 44 publicada em julho de 2017 pela Editora Eaglemoss e em Super-Homem números 36 a 38 entre outubro e dezembro de 1999 pela Editora Abril.
Morte no Topo do Mundo
Em algum momento todos precisam de férias e nem o fato de ter superpoderes lhe livram disso! Assim Flash, Lanterna Verde e Arqueiro Verde, os três heróis que substituíram outros com o mesmo codinome, vão para um cruzeiro. Porém naquelas coincidências que roteiristas utilizam para facilitar a sua vida, eles se deparam com os supervilões Sonar, Onda Térmica e Manchete, o objetivo deles era transportar o congelado Doutor Polares, que fora resgatado do Iraque, pelo navio e descongelá-lo.
Os roteiros são de Ron Marz, Chuck Dixon e Grant Morrison e Mark Millar. Esse tanto de roteirista se deve ao fato de ser um crossover entre as revistas Green Lantern, Green Arrow e The Flash. Além da "ruincidência" do enredo, a trama é prejudicada quando os 3 heróis ficam inertes na mira de Manchete, que estava com uma metralhadora que dispara tantos tiros por segundo. É claro que o Flash já foi visto resolvendo isso com uma mão amarrada nas costas, isso sem mencionar no poder do anel do Lanterna Verde. Ignorando isso, a história é interessante apesar dos fracos argumentos. Esses melhoram com Morrison, que narra um julgamento, já que a ação dos seis leva à morte alguns inocentes. Tudo estava sendo bem conduzido, ainda que praticamente não houvesse ação mas apenas uma narração dos fatos, até que a sentença é dada inicialmente em favor dos vilões, porque eles invadiram o Iraque e tiraram um supervilão superpoderosa de lá. 😳 Os inocentes mortos para o juiz deve ter sido um mero detalhe. O roteirista é o mesmo autor de Os Invisíveis e é possível que ele tenha feito isso pra criticar a ridícula maneira de interpretar as leis nos EUA, ou isso, ou acreditar que ele tem pensamento de republicano maluco com o cérebro tão afetado quanto os atuais trumpistas.
Os desenhos são de Paul Pelletier, Will Rosado e Paul Ryan. Eu destaco o fato de os artistas não definirem qual a cor de pele do Arqueiro Verde 2. Nas suas primeiras aparições, ele era visivelmente um negro loiro. Aqui na primeira parte, Pelletier o desenha como um branco raiz, na segunda parte Rosado utiliza umas sombras pra justificar a pele negra e por fim, Ryan o desenha como branco mesmo. Eu realmente não entendi foi nada. Por falar em má retratação, Pelletier praticamente cria personagens porque nem a mãe deles reconheceriam Flash, Lanterna Verde e o Arqueiro Verde sem máscara da maneira que ele os desenha.
Essa é uma história em que tudo é muito forçado do início ao fim e vale a pena esquecer que esse crossover existiu.
A Corrida pela Vida
Extraterrestres chamam um velocista para representar a Terra numa corrida espacial com outro participante, quem perder terá o seu planeta destruído. O escolhido é Wally West e seu adversário é um ser de energia que ele conheceu na infância que até então ele pensava que era imaginário.
O roteiro consegue trazer um perigo real para o Flash, a ponto de gerar interesse na história, porém o entusiasmo na leitura vai até a segunda parte, quando a população se une para correr afim de mandar energia de velocidade ao Flash, por mais canastrão que essa saída pareça. A corrida faz com que o herói percorra diversos lugares em tempos diferentes e é interessante ver como eram os Guardiões do Universo no seu surgimento, além de mostrar uma Krypton prestes a explodir. O que deixa a desejar é a solução pra preservar os seres do planeta Kwyzz, onde vive o seu adversário. Os seres são simplesmente enviados para a Terra sem poderem ser vistos pelos terrestres, sendo que em meio a comemoração deles, o planeta deve ter sido explodido. Por isso é uma história que começa bem mas trás um final ingênuo que estraga o entusiasmo.
Os desenhos são de Paul Ryan e Ron Wagner. Eu destaco o estilo de Wagner que quebra o jeito mais do mesmo de Ryan e traz um traço simples mas carregado de expressividade. Além disso ele traz personagens maiores para deixar claro as suas feições. A dinâmica que ele traz nos desenhos possibilita visualizar uma velocidade suficiente pra criar uma ambientação de urgência, que se enquadra muito bem no roteiro.
O Flash Negro
A partir de borrões nas fotos de Wally West, Max Mercúrio chega a conclusão de que a morte do Flash está muito perto, isso é baseado na foto dos outros Flashes que faleceram, que trazem o mesmo borrão em fotos tiradas logo antes de sua morte. Cabe aos velocistas se unirem pra descobrir o que está acontecendo e impedir essa tragédia.
Finalmente o roteirista Mark Millar nos entrega uma boa história! É interessante ver as situações contraditórias de Wally West casado com Linda e as consequências quando mostram a morte dela. É bem verdade que o enfrentamento ao vilão só ocorra na última parte de três mas até a resolução da trama ficou interessante, por trabalhar bem a descoberta do perigo e as consequências da morte de Linda para Wally.
Os desenhos são do tailandês Pop Mhan, que contou com a ajuda de Joshua Hood na última parte. O seu traço me encantou muito em comparação aos desenhistas anteriores. Eu gosto do seu estilo diferenciado em que sua câmera é aproximada do corpo, ele traz quadrinhos com personagens enormes e com os detalhes suficientes para lindas cenas. Eu destaco o semblante de Wally quando vê que a sua esposa foi morta, uma cena indescritível, ainda que ele utilize traços simples mas de tamanho realismo que nos comove. O que eu fiquei insatisfeito é que a Panini optou por trazer mais uma capa horrível, já que o Flash Negro da capa está longe de ter as referências de terror que a história traz de um personagem que sintetiza bem a personificação da morte para os Flashes.
Veredicto
Esse encadernado não é completamente esquecível por conta do última arco que contou com o talento de Mark Millar e Pop Mhan. A participação de Grant Morrison nas duas edições de A Saga do Flash decepcionou, por mostrar-se um autor distante da sua criatividade que ele vinha trazendo em Liga da Justiça, que ele escrevia na mesma época. Levando em consideração que o encadernado traz o final de um arco e outros dois em 8 histórias, vale muito a pena ler o último arco (três histórias) que soube trabalhar bem o amor de Wally e Linda, que é uma das temáticas que o roteirista Mark Waid tão bem explorou. Por conta da chatisse da maior parte das histórias, eu classifico como uma boa obra apenas.
Ficha técnica:
Publicado em: abril de 2026
Licenciador: DC Comics
Categoria: Edição Especial
Gênero: Super-heróis
Status: Em circulação
Formato: Americano (17 x 26 cm)
Colorido/Lombada quadrada
Preço de capa: R$ 59,90
Leia também:
A Saga do Flash - 17 Parada de Emergência
A Saga do Flash - 16 Pacto com o Diabo
A Saga do Flash - 15 Amizade ainda mais Rápida
A Saga do Flash - 14 Corrida Presidencial
A Saga do Flash - 12 e 13 Corrida contra o Tempo




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