A Saga do Flash - 18 Corrida pela Vida!

Capa de A Saga do Flash 18 publicada pela Editora Panini


 ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS 

Esse é o último volume em que há histórias escritas pelo roteirista Grant Morrison e Mark Millar para o Flash. Aqui inicia com o final do arco em 3 partes, que iniciou em A Saga do Flash 17, em que há o encontro do Flash com o Arqueiro Verde e o Lanterna Verde. No arco seguinte, extraterrestres determinam que o Flash corra em disputa com um velocista de outro planeta sobre quem corre mais rápido, o derrotado terá o seu planeta destruído. Por fim, fotos de Wally West traz indícios de que a sua morte está muito perto, por isso os velocistas precisam se unir pra impedir isso. As histórias desse volume foram publicadas pela primeira em DC Comics - Coleção de Graphic Novels: Sagas Definitivas número 39 publicada em julho de 2021 e  DC Comics Coleção de Graphic Novels número 44 publicada em julho de 2017 pela Editora Eaglemoss e em Super-Homem números 36 a 38 entre outubro e dezembro de 1999 pela Editora Abril. 

Página interna de The Flash 135 publicada pela DC Comics

Morte no Topo do Mundo

Em algum momento todos precisam de férias e nem o fato de ter superpoderes lhe livram disso! Assim Flash, Lanterna Verde e Arqueiro Verde, os três heróis que substituíram outros com o mesmo codinome, vão para um cruzeiro. Porém naquelas coincidências que roteiristas utilizam para facilitar a sua vida, eles se deparam com os supervilões Sonar, Onda Térmica e Manchete, o objetivo deles era transportar o congelado Doutor Polares, que fora resgatado do Iraque, pelo navio e descongelá-lo. 

Os roteiros são de Ron Marz, Chuck Dixon e Grant Morrison e Mark Millar. Esse tanto de roteirista se deve ao fato de ser um crossover entre as revistas Green Lantern, Green Arrow e The Flash. Além da  "ruincidência" do enredo, a trama é prejudicada quando os 3 heróis ficam inertes na mira de Manchete, que estava com uma metralhadora que dispara tantos tiros por segundo. É claro que o Flash já foi visto resolvendo isso com uma mão amarrada nas costas, isso sem mencionar no poder do anel do Lanterna Verde. Ignorando isso, a história é interessante apesar dos fracos argumentos. Esses melhoram com Morrison, que narra um julgamento, já que a ação dos seis leva à morte alguns inocentes. Tudo estava sendo bem conduzido, ainda que praticamente não houvesse ação mas apenas uma narração dos fatos, até que a sentença é dada inicialmente em favor dos vilões, porque eles invadiram o Iraque e tiraram um supervilão superpoderosa de lá. 😳 Os inocentes mortos para o juiz deve ter sido um mero detalhe. O roteirista é o mesmo autor de Os Invisíveis e é possível que ele tenha feito isso pra criticar a ridícula maneira de interpretar as leis nos EUA, ou isso, ou acreditar que ele tem pensamento de republicano maluco com o cérebro tão afetado quanto os atuais trumpistas. 

Os desenhos são de Paul Pelletier, Will Rosado e Paul Ryan. Eu destaco o fato de os artistas não definirem qual a cor de pele do Arqueiro Verde 2. Nas suas primeiras aparições, ele era visivelmente um negro loiro. Aqui na primeira parte, Pelletier o desenha como um branco raiz, na segunda parte Rosado utiliza umas sombras pra justificar a pele negra e por fim, Ryan o desenha como branco mesmo. Eu realmente não entendi foi nada. Por falar em má retratação, Pelletier praticamente cria personagens porque nem a mãe deles reconheceriam Flash, Lanterna Verde e o Arqueiro Verde sem máscara da maneira que ele os desenha. 

Essa é uma história em que tudo é muito forçado do início ao fim e vale a pena esquecer que esse crossover existiu. 

Página interna de The Flash 136 publicada pela DC Comics

A Corrida pela Vida 

Extraterrestres chamam um velocista para representar a Terra numa corrida espacial com outro participante, quem perder terá o seu planeta destruído. O escolhido é Wally West e seu adversário é um ser de energia que ele conheceu na infância que até então ele pensava que era imaginário. 

O roteiro consegue trazer um perigo real para o Flash, a ponto de gerar interesse na história, porém o entusiasmo na leitura vai até a segunda parte, quando a população se une para correr afim de mandar energia de velocidade ao Flash, por mais canastrão que essa saída pareça. A corrida faz com que o herói percorra diversos lugares em tempos diferentes e é interessante ver como eram os Guardiões do Universo no seu surgimento, além de mostrar uma Krypton prestes a explodir. O que deixa a desejar é a solução pra preservar os seres do planeta Kwyzz, onde vive o seu adversário. Os seres são simplesmente enviados para a Terra sem poderem ser vistos pelos terrestres, sendo que em meio a comemoração deles, o planeta deve ter sido explodido. Por isso é uma história que começa bem mas trás um final ingênuo que estraga o entusiasmo. 

Os desenhos são de Paul Ryan e Ron Wagner. Eu destaco o estilo de Wagner que quebra o jeito mais do mesmo de Ryan e traz um traço simples mas carregado de expressividade. Além disso ele traz personagens maiores para deixar claro as suas feições. A dinâmica que ele traz nos desenhos possibilita visualizar uma velocidade suficiente pra criar uma ambientação de urgência, que se enquadra muito bem no roteiro. 

Página interna de The Flash 139 publicada pela DC Comics

O Flash Negro

A partir de borrões nas fotos de Wally West, Max Mercúrio chega a conclusão de que a morte do Flash está muito perto, isso é baseado na foto dos outros Flashes que faleceram, que trazem o mesmo borrão em fotos tiradas logo antes de sua morte. Cabe aos velocistas se unirem pra descobrir o que está acontecendo e impedir essa tragédia. 

Finalmente o roteirista Mark Millar nos entrega uma boa história! É interessante ver as situações contraditórias de Wally West casado com Linda e as consequências quando mostram a morte dela. É bem verdade que o enfrentamento ao vilão só ocorra na última parte de três mas até a resolução da trama ficou interessante, por trabalhar bem a descoberta do perigo e as consequências da morte de Linda para Wally. 

Os desenhos são do tailandês Pop Mhan, que contou com a ajuda de Joshua Hood na última parte. O seu traço me encantou muito em comparação aos desenhistas anteriores. Eu gosto do seu estilo diferenciado em que sua câmera é aproximada do corpo, ele traz quadrinhos com personagens enormes e com os detalhes suficientes para lindas cenas. Eu destaco o semblante de Wally quando vê que a sua esposa foi morta, uma cena indescritível, ainda que ele utilize traços simples mas de tamanho realismo que nos comove. O que eu fiquei insatisfeito é que a Panini optou por trazer mais uma capa horrível, já que o Flash Negro da capa está longe de ter as referências de terror que a história traz de um personagem que sintetiza bem a personificação da morte para os Flashes. 

Veredicto

Esse encadernado não é completamente esquecível por conta do última arco que contou com o talento de Mark Millar e Pop Mhan. A participação de Grant Morrison nas duas edições de A Saga do Flash decepcionou, por mostrar-se um autor distante da sua criatividade que ele vinha trazendo em Liga da Justiça, que ele escrevia na mesma época. Levando em consideração que o encadernado traz o final de um arco e outros dois em 8 histórias, vale muito a pena ler o último arco (três histórias) que soube trabalhar bem o amor de Wally e Linda, que é uma das temáticas que o roteirista Mark Waid tão bem explorou. Por conta da chatisse da maior parte das histórias, eu classifico como uma boa obra apenas.

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Ficha técnica:

Publicado em: abril de 2026

Editora: Panini
Licenciador: DC Comics
Categoria: Edição Especial
Gênero: Super-heróis
Status: Em circulação
Número de páginas: 176
Formato: Americano (17 x 26 cm)
Colorido/Lombada quadrada

Preço de capa: R$ 59,90

Leia também:

A Saga do Flash - 17 Parada de Emergência

A Saga do Flash - 16 Pacto com o Diabo

A Saga do Flash - 15 Amizade ainda mais Rápida

A Saga do Flash - 14 Corrida Presidencial

A Saga do Flash - 12 e 13 Corrida contra o Tempo

  



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