A editora Companhia das Letras republicou recentemente a adaptação Os Sertões A Luta pelo selo Quadrinhos na Companhia. Os gaúchos Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa utilizaram os conflitos da Guerra de Canudos, que foi imortalizado pelo escritor Euclides da Cunha em 1902. A obra é a sua maior parte retratada em preto e branco e traz uma história em quadrinho em que os autores trazem um roteiro original inspirado na obra.
O livro Os Sertões é dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta. Eu li esse livro quando estava no Ensino Médio e lembro do quanto as duas primeiras partes pareciam intermináveis. A primeira parte A Terra é uma descrição detalhada sobre o aspecto físico do sertão nordestino. Na segunda parte O Homem o autor fala sobre a origem de Antônio Conselheiro, a sua família e a sua trajetória antes que ele chegasse a Canudos. Quando eu li a terceira parte A Luta eu me empolguei! Euclides da Cunha esteve lá para fazer a cobertura jornalística para o jornal o Estado de São Paulo e, apesar de as primeiras partes terem a sua importância para a compreensão, A Luta empolga com um ritmo na sequências dos acontecimentos, o que despertou o meu interesse na leitura.
Entretanto a história de Os Sertões A Luta está longe de querer representar à risca a narrativa original. A obra começa com a desilusão de Antônio Conselheiro após perceber a traição da sua mulher. A sua enorme dor de cotovelo o fez sair de casa e ir para o meio do mato, lá em determinado momento ele teve um delírio sobre o seu futuro e se levanta disposto a aceitar o seu destino. A partir daí, o gibi já corta para a situação de conflito. A jovem República comandada por Rodrigues Alves já havia sofrido derrotas humilhantes pelos nordestinos. O enfermo líder, aceita as sugestões do líder do exército e autoriza uma ação militar definitiva. Durante a preparação para a invasão, o próprio Euclides da Cunha entra no enredo como mais um personagem.
A expectativa que eu tive antes de ler a história era que o quadrinho fosse mostrar de forma igualitária os dois lados do conflito ou, pelo menos focar-se nos moradores da Vila de Canudos. Um grande engano, os autores optaram em narrar a história a partir do exército, assim a gente embarca junto com os personagens nesse local excêntrico que é o sertão nordestino junto com um enorme poderio militar e as suas estratégias de combate.
A adaptação tem roteiros e desenhos que vão melhorando junto com a dramaticidade dos acontecimentos. Quando o exército ainda se encontrava no Rio de Janeiro, a situação é apresentada de forma morna e o traço se assemelha a quadrinhos dos anos 70. Porém à medida que o combate se acirra, o traço utiliza uns recursos gráficos de borrar a arte imprimindo ação nos desenhos. Algo que vai melhorando até que atinge o auge para mim quando os autores retratam o delírio dos líderes de cada lado. Nesse momento, a gente vê que a Guerra de Canudos não foi simplesmente um combate de pessoas e armas; o clima, as condições geográficas e principalmente a crença de cada um dos envolvidos foram fatores que influenciaram a duração e os resultados dos conflitos.
Os Sertões A Luta tem muita qualidade como uma narrativa em quadrinhos que, em lugar das pessoas, trouxe como protagonista o conflito em si. A obra deve ser visto como um complemento a leitura do clássico em prosa, caso o leitor tenha interesse em entender melhor como o conflito se deu. Vale a pena conhecer uma visão tão pessoal de Os Sertões, principalmente pelo desenhos e os recursos narrativos próprios de uma história em quadrinhos. Os Sertões A Luta é uma experiência em que a leitura emociona de maneira crescente e reproduz bem em imagens detalhes sobre o horror do conflito e um meio ambiente muitas vezes inóspito.
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Ficha técnica:
Páginas - 96 preto e branco (a maioria)
Formato - 21 x 27 cm
Acabamento - Brochura com orelhas
Valor - 49,90
Editora - Companhia das Letras
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