ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS
O final do encontro entre o Hulk e o Homem de Ferro no arco anterior trouxe uma explosão de um dos laboratórios do Tony Stark. Com o serviço de construção de uma nova armadura do Homem de Ferro finalizado, Bruce vai embora da casa do bilionário e a sua caminhada o leva a um hotel onde vai dormir. Ao acordar, Bruce vê a cidade ao seu redor completamente destruída e, ao verificar o que aconteceu em um dos prédios, encontra a boca em uma tela que há tanto tempo vinha lhe perseguido. Finalmente é mostrada a face da pessoa e quem Bruce encontra é o Líder. O vilão mostra que a tragédia na cidade causada pela explosão poderia ser evitada, caso Bruce o ajude a pegar uma máquina do tempo. Porém o fato é que tudo isso é uma manipulação dos novos poderes do Líder que faz com que Banner enxergue uma realidade com seres hulkficados que não existem no lugar de pessoas normais que correm o risco de serem esmagadas pelo Hulk. Esse é um arco em duas partes que se complementa com a última história chamada Estilhaçado. Esse material foi publicado nas edições 9 e 10 de Universo Marvel pela Editora Panini nos meses de março e abril de 2006.
Todos os mistérios dessa fase do roteirista Bruce Jones foram revelados anteriormente com exceção de um: quem era a mente que estava por trás de toda essa manipulação e porquê fez tudo isso. Apesar do arco com o Homem de Ferro não ter conexão com as tramas anteriores, ele traz elementos para a compreensão desse arco, O trio doutor Samson, Betty Banner e Nádia Blonski vão se encontrar com Tony Stark para saber onde estava Banner após a explosão. Eles logo percebem que o Hulk estava ameaçando pessoas e estava fora da realidade e deduzem que ele estava sob efeitos de uma manipulação mental. Essa situação poderia afetar o Homem de Ferro e o doutor Samson, por isso coube às mulheres sem poderes tentar acordar o Hulk.
O arco em si perde muito do estilo narrativo de Bruce Jones e traz uma história simplificada. O que contribui realmente para essa fase é a história Estilhaçado em que o Líder, agora só uma cabeça, detalha o seu interesse em cansar o Hulk com tanta perseguição para poder tomar o seu corpo e ressuscitar por completo finalmente. A destruição que vem em seguida leva a morte de Nádia quando Samson joga Hulk por cima do recipiente onde estava o pedaço de corpo do Líder. Com isso, Nádia morre com um dos estilhaços do vidro e Hulk perde a cabeça e espanca Samson e só pára quando uma Betty desesperada despeja a sua fúria sobre o monstro com fortes palavras.
Os desenhos desse arco são sofríveis. O desenhista Darick Robertson traz um traço que alguns momentos até tenta trazer o realismo dos desenhistas anteriores mas esbarra na sua simplicidade que se manifesta na sua pouca habilidade em trazer expressões faciais condizentes com os acontecimentos. Há momentos de exageros e outros em que os rostos estão completamente neutros. A última história intitulada Estilhaçado acerta inclusive no traço de Dougie Braithwaite que retoma o estilo cinematográfico típico de toda a fase e sabe utilizar da dramaticidade quando é necessária principalmente no final em que traz uma conclusão impactante.
Eu tenho 46 anos e acompanho o Hulk desde os 14, eu li tudo o que foi publicado dos anos 90 para cá, o que saiu do personagem na Coleção Histórica e Coleção Clássica Marvel, além de alguns outros encadernados de material antigo. Eu afirmo com convicção que essa fase do Bruce Jones foi a que eu mais me diverti lendo, principalmente pelo ponto de ela ser tão criticada: o monstro mal aparece. Isso possibilitou trazer as histórias do personagem num clima de suspense em vez da típica história de super-herói. O Hulk é um personagem cujas histórias acabam sendo repetitivas na sua perseguição pelo exército. A Saga da Encruzilhada dá um interessante embate moral e a fase do roteirista Peter David me traz saudosismo, mas nenhuma dessas trouxe uma trama tão bem estruturada.
Contudo faz 20 anos que o final dessa fase foi publicada e dificilmente haverá uma republicação dela no Brasil. Isso porque geralmente influenciadores refere-se a essas histórias de uma forma muito negativa. Por isso e por outras eu acho o leitor de quadrinhos de herói contraditório. Ao mesmo tempo que ele não quer ser o objeto da sua diversão como algo infantil, ele cria diversas regras que enquadram demais como deve ser uma história de herói. Há uma exigência portanto de que os quadrinhos do Hulk têm que ter porradaria e destruição, a ausência disso necessariamente leva a uma obra ruim. Eu penso diferente, eu acho que quadrinhos de herói pode seguir diferentes vertentes, desde que o roteiro saiba ser bem conduzido. Se os autores vão utilizar ou não os clichês das histórias de herói isso é menos importante do que a narrativa.
A fase de Bruce Jones foi concebida no melhor momento da Marvel: quando Joe Quesada era o Editor-Chefe. Diversos personagens tiveram histórias cuja equipe criativa ousou e com isso tem seus quadrinhos dessa época republicados até hoje. A ousadia de Bruce Jones me ganhou pelo suspense e por atender a expectativas de todos os elementos soltos se encaixarem, É bem verdade que houve alguns momentos desnecessários, como o arco com o Homem Absorvente, mas isso ocorre fora da trama principal e portanto não a atrapalha em nada, o mesmo eu posso dizer com o encontro com o Homem de Ferro. Por isso, dificilmente você irá ver essa fase como um clássico do personagem mas para mim esse foi o seu melhor momento.
Hulk Acorde Para o Pesadelo é um arco mediano, por ser uma narrativa bem mais direta e fugir do habitual estilo de suspense dos arcos anteriores. Contudo a história final que se segue ao arco consegue trazer um vilão com uma motivação convincente e ainda por cima traz um final dramático. Com esse material acaba a fase de Bruce Jones, dentre tudo o que eu já li do Hulk, esse foi o roteirista cujas histórias eu mais me diverti lendo.
Destaque da obra:
- retorno do Líder
- morte de Nádia Blonski
Leia também:
Hulk - Grandes Coisas: décimo arco da fase de Bruce Jones
Hulk - Morto Igual a Mim: nono arco da fase de Bruce Jones
Hulk - Decisões Divididas: oitavo arco da fase de Bruce Jones




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