The Boys - 1 O Nome do Jogo

Capa de The Boys Volume 1 publicada pela Editora Devir


 O mundo está cheio de super-heróis, alguns deles andam fantasiados e outros caminham por aí com roupas comuns, desses parte deles estão acabando de descobrir os seus superpoderes e, assim há acidentes que levam pessoas a morte. O governo dos EUA, com a sua típica necessidade de controlar o mundo, também quer controlar os super-heróis. Para isso, a CIA contrata o Carniceiro para recrutar superpoderosos para controlar os super-heróis. O encadernado conta com os arcos Tocando um Puteiro e Adeus à Inocência. Já deu pra perceber que esse não é um quadrinho feito pra criança, né? A Editora Devir publicou pela primeira vez esse encadernado da Dynamite Entertaiment em abril de 2010 e outubro de 2025 trouxe a republicação mais recente que já é a sexta edição. Essa obra foi publicada inicialmente pela DC Comics, mas devido a acidez das crítica ao universo dos super-heróis, a Editora não quis continuar a sua publicação.

Tocando um Puteiro

O roteirista Garth Ennis traz o início do recrutamento do grupo The Boys, mostrando a deficiência em como ele ocorre, por conhecer de forma tosca as pessoas recrutadas. Além disso, mostra parte do mundo na visão do Carniceiro. Aqui podemos adentrar no humor negro com mortes horríveis e nos cortes inesperados da trama que conduzem a um surpreendente sexo casual. Até o momento, não sabemos o tamanho da ameaça que os super-heróis representam, mas podemos ver que os personagens são bem realistas no seu misto de qualidades e defeitos. 

Adeus à Inocência

O arco inicia apresentando a Equipe dos 7, o mais conhecido grupo de super-heróis que é comandado pelo Patriota. Aqui vemos que esse ideal de herói, que é uma pessoa que possui nobreza e é um exemplo de virtude, é apenas marketing. O Patriota utiliza de seu status de comando pra satisfazer as suas vontades, dentre elas a sexuais, como um exemplo entre tanto de macho lixo em posição de comando por aí. Se essa é uma exemplificação de homem cis, há também um exemplo de como as mulheres são representadas nos quadrinhos de super-heróis: Estelar. Uma super-heroína devotada e religiosa que, apesar dos poderes, sente-se incapaz de defender-se de situações inesperadas de abuso sexual, seja o físico ou na modificação do seu uniforme, que não tem nenhuma função além de satisfazer os homens héteros que vão lhe ver. Nesse momento, lembrei da heroína Poderosa, prima do Superman da Terra 2 cujo maiô utilizado como uniforme original não tem nenhuma função no combate aos supervilões. Eu também lembrei do filme Professor Marston e as Mulheres Maravilha em que relata a vida do criador da Mulher-Maravilha, William Moulton Marston. O filme mostra que a heroína possuía propositalmente referências de visual sado masoquista pra satisfazer indiretamente o leitor. Nos momentos que a Estelar é o foco da narrativa, a leitura gera uma sensação desagradável que leva a essas reflexões. 

Página interna de The Boys Volume 1


Além disso, o arco também mostra como The Boys (ou na tradução os Rapazes) atuam para vigiar os diversos grupos de super-heróis dentre eles a Tropa Terror, sem nenhum tipo de escrúpulo mas com a garantia do Governo que, mesmo que os rapazes causem alguma tragédia, eles terão a garantia de que tudo estará por debaixo dos panos. Assim ainda que o líder Carniceiro os instrua sobre como agir, a contenção do uso da força ou não pouco impacto vai trazer na atuação deles, muito menos na visão do Governo. 

O primeiro volume da série

O primeiro volume traz a premissa que o enredo explora a frase de Alan Moore em Watchmen: Quem vigia os vigilantes? Ao mesmo tempo em que imagina como seria os super-heróis do mundo real com as suas qualidades e defeitos, utilizando os seus poderes para fins pessoais e o pior: colocar pessoas sem treinamento algum para servir como vigilantes quando eles não são treinados nem para manejar os próprios poderes. Eu citei aqui várias críticas sobre os quadrinhos de super-heróis abordadas na obra, mas não se engane em achar que essa é uma obra de grande complexidade. Na maior parte dela, os autores também se divertem com tudo isso e traz uma trama com perfil pra também divertir os homens héteros que são os típicos nicho desse material. Assim há cenas de violência desmedida, sem motivos que a justifiquem, há cenas de sexo que ocorrem além da Estelar sem nenhuma crítica aparente e há diálogos descartáveis e longos. Por isso não entre na leitura na expectativa de um complexo clássico dos quadrinhos. Ainda que os autores tenham pensado num enredo interessante como "E se os super-heróis fossem pessoas reais?", o desenvolvimento dessa ideia leva a momentos para eles mesmos se divertirem de tudo o que está ali. Por isso não leve a obra tão a sério. 

Os desenhos são de Darick Robertson, que trazem um desenho realista que aproveita muitos das feições faciais, são o que guia boa parte da trama. As cenas violentas conseguem embrulhar o estômago quando o excesso de sangue e carne retorcida não atrapalham a compreensão. Se no roteiro é possível apontar alguns problemas, o mesmo é bem mais difícil de perceber no traço. 

Veredito

The Boys O Nome do Jogo é um ótimo quadrinho por criticar bem os quadrinhos de super-heróis e por saber trabalhar a premissa de como seriam ter heróis no mundo real, com todas as características que os fazem ser humanos reais. Contudo esse não é um clássico que merece as mais profundas análises, já que em vários momentos os autores visivelmente estavam se divertindo com o sexo e a violência que a obra traz. Ainda que haja várias críticas aos quadrinhos, quem acompanha série ou filmes de super-heróis consegue identificar as críticas ali mostradas. 

Página interna de The Boys Volume 1


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Ficha técnica: 

TÍtulo Original: The Boys: The Name of 

the Game 

Editora original: Dynamite 

Roteiro: Garth Ennis

Desenhos: Darick Robertson

Tradução: Marquito Maia 

Formato: 16,5 x 24 cm

Estrutura: 152 páginas colorido em papel 

couchê 

Capa: cartão 250 g/m 

Peso: 385 g (estimado) 

Lombada: 1,30 cm (estimado) 

Área de interesse: Super-heróis, sátira, 

ação 

Público: adulto 

Preço: R$ 80,00 (estimado)

Página interna de The Boys Volume 1

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